11 de julho de 2007

O Fado

Não vou falar sobre musica mas sobre o destino que alguns de nós tínhamos, todos os domingos de manhã.
Domingo de manhã era dia de missa e, como tal, era difícil reunirmo-nos para brincar pois existia esse compromisso e além disso, depois do compromisso… casa para almoçar.
“Os pequenos vagabundos”, com o seu engenho e arte, saíam então de casa, reuniam-se nA Rua e lá iam com o seu destino traçado – rumo à Igreja dos Jerónimos.
Quando chegávamos à Igreja, um de nós ía verificar quem era o padre que iria dizer a missa para assim, poder dizer em casa o nome do padre e mostrar aos pais o tão devoto que era o seu filho.
Depois da verificação efectuada, seguíamos quase sempre para o Jardim do Ultramar, hoje Jardim Tropical, passear e brincar pela parte de Macau, com pontes, riachos, rãs, canas da Índia – bem bonito, admirávamos as grandes árvores, o lago com os patos, os pavões, a estufa em que alguém dizia que estava fechada porque tinha plantas carnívoras enfim, era o imaginário de alguns miúdos.

Sempre de olho no relógio e após passar mais ou menos uma hora (duração da missa), lá íamos rumo a casa, com o nome do padre na ponta da língua e com a recordação do tempo bem passado.
Que ricos meninos! Que fado! Que saudade!

zeca

2 comentários:

Luis disse...

Caro Zeca,
As coisas de que tu te lembras... mas, faltou um pormenor e pelo menos um acontecimento. O pormenor tem a ver com a prepara�o do discurso em casa, ou seja, n�o s� se verificava quem era o padre, como se recolhia a folha dominical. Realmente tinhamos o alibi perfeito...
O acontecimento que falta prende-se com um Skate que foi parar � doca de Bel�m num desses dias, o protagonista aparece ou n�o???

Lico

Milhano disse...

Exactamente Lico!!! Eu fui apnhado em flagrante delito pois disse ao meu pai que o padre estava trajado de branco numa altura em que era suposto estar de roxo. Pimba! O dono do skate afogado está nas ilhas britânicas e o "condutor" e manobrador da vela está pertinho, mas ninguém se acusa.