7 de julho de 2007

Conheces a tua Rua?

Quando, no dia 11 de Julho de 1970, a Câmara Municipal de Lisboa, numa cerimónia singela, descerrou as placas toponímicas que baptizavam as ruas até aí designadas por Rua A e Rua C à Rua D. Lourenço de Almeida, chamando-lhes, respectivamente, Rua Martins Barata e Rua João Bastos, vinha conceder-lhes uma identidade própria, sem dependência daquela onde entroncam e que, até aí, servira de referência.
Agora que a unidade afectiva dos residentes ( sobretudo os das gerações que abriam os olhos para o mundo à data daquele acontecimento) se fortaleceu com o Jantar da Rua e em que o Blogue da Rua procura ser instrumento de manutenção desse clima, pareceu de interesse precisar melhor quem foram as personagens cujos nomes figuram nas placas e as razões que conduziram a tal merecimento.
Às três artérias referidas há que acrescentar a que completa o perímetro, a Rua Vila Correia, sendo Vila Correia, originalmente, um aglomerado de habitações para as famílias dos operários que trabalhavam nas instalações fabris ali existentes, dedicada uma à tintagem de tecidos e outra ( M.Carp ) ao fabrico de produtos têxteis, actividades que cessaram em meados do século passado. Essa área, onde sobreviveram alguns prédios que gradualmente vieram a ser demolidos para dar origem a construções de traça mais recente, está hoje, maioritariamente, ocupada por instalações camarárias (equipamentos de jardinagem e viveiros de plantas) e por dois grandes condomínios onde ainda se podem ver alguns muros das antigas fábricas.

Quanto às personagens que dão nome às restantes ruas, respeitemos a antiguidade, começando por D. Lourenço de Almeida. Filho de D. Francisco de Almeida , nomeado por D. Manuel I como 1.º Vice-rei da Índia, quando Portugal procura estabelecer-se naquele sub-continente para dominar em seu proveito o comércio de especiarias, acompanha, com pouco mais de vinte anos, seu pai (cujo nome foi igualmente atribuído a uma rua próxima) . Nas lutas contra os mercadores muçulmanos e venezianos que, até aí, mantinham com os suseranos hindus tratados de comercialização das especiarias, as quais eram encaminhadas para a Europa pelo norte de África, D. Lourenço de Almeida assume o comando de uma armada com a qual obtém importantes vitórias, mas acaba por morrer em combate. Entretanto, as especiarias passaram a ser transportadas pela rota do Cabo, em navios portugueses que as encaminhavam para os mercados europeus.
Falemos agora dos dois titulares mais recentes, Martins Barata e João Bastos.

Jaime Martins Barata, nascido em 1899 e falecido em 1970, notabilizou-se especialmente como pintor e de tal modo que, logo no ano da sua morte, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu dar o seu nome a uma rua, o que não é nada vulgar.
Nascido no Alto Alentejo (Póvoa e Meadas), onde viveu a infância, veio depois para Lisboa, para seguir um curso superior na Faculdade de Ciências, mas acabando por se dedicar à pintura, com frequência dos cursos da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Concorre a professor de desenho, tendo ensinado em diversos liceus, fixando-se em Lisboa a partir de 1928.
A par dessa função, aperfeiçoa os seus conhecimentos artísticos pintando aguarelas e outras obras, com a preocupação do rigor do desenho e da veracidade histórica dos temas tratados.
A partir de 1940 executa, por convite, uma sucessão de obras de grande vulto, que o manterão em grande actividade até ao fim da vida. Delas, destacam-se:
- em 1940, trípticos para o Pavilhão de Lisboa na Exposição do Mundo Português
- trípticos da escadaria nobre da Assembleia da República
- painéis para o átrio do Conservatório de Música
- painéis para o átrio do Instituto Português de Oncologia
- a partir de 1957, uma série de pinturas de grandes dimensões para vários Palácios da Justiça.
Paralelamente, tendo participado na elaboração dos selos comemorativos de 1940 que, a partir daí, ganham estatuto de obra de arte, é convidado pela Administração dos C.T.T. para consultor artístico – e, a partir daí, o selo português passa a ser mais procurado pelos coleccionadores, ganhando diversos prémios de filatelia.
Responsável directo pelo selo denominado “caravela” é também o responsável pelo desenho das moedas de 2$50, 5$00 e 10$00, emitidas entre 1963 e 1986 (lembram-se delas?), tendo também a caravela como motivo.
Aliás, este interesse pela caravela leva-o a estudar a arqueologia naval da época dos descobrimentos e a produzir obras de divulgação sobre o assunto.
Não alinhado com as correntes vanguardistas que, na época, se vinham afirmando (Abel Manta, Almada Negreiros,...), recebe pouca aceitação da crítica – mas ele mantém-se, até ao fim da vida, coerente com o estilo que escolhera, de preferência pelo passado e pela sua representação realista.
Faleceu em 1970, quando tinha em curso uma encomenda para o Palácio da Justiça de Lisboa – sendo o seu filho, já anteriormente seu colaborador, quem terminou a obra.

NOTA – A quem interesse maior desenvolvimento sobre este autor, remete-se para jaimemb.no.sapo.pt/index.html.

João Bastos, titular da última artéria em análise, tendo vivido de 1873 a 1957, foi um comediógrafo que escreveu um grande número de comédias, farsas, operetas e revistas, destinadas a ser apresentadas em palco mas que, nalguns casos, deram também origem a filmes. Destes, os mais conhecidos (porque a televisão os passa de quando em vez) são “O Leão da Estrela”, “O Noivo das Caldas” e “O Costa do Castelo”.
São peças de grande comicidade que retratam a Lisboa pequeno-burguesa de meados do século XX.
João Bastos foi também um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Autores (1925), para defesa dos direitos de autores e compositores, tendo presidido ao Conselho Fiscal.

A.M.

5 de julho de 2007

Gentes e Locais

A foto é dos primeiros anos do séc. XX. O autor foi o famoso Joshua Benoliel. Que local é este?

Pois é, não era fácil! A foto é do famoso Hipódromo de Belém, nos terrenos perto do santuário do nosso "Belenenses" e descrito assim nos Maias: "Diante deles, o hipódromo elevava-se suavemente em colina, parecendo, depois da poeirada quente da calçada e das cruas reverberações da cal, mais fresco, mais vasto com a sua relva já um pouco crestada pelo sol de junho, e uma ou outra papoula vermelhejando aqui e além. [...] Para além, dos dois lados da tribuna real forrada de um baetão vermelho de mesa de Repartição, erguiam-se as duas tribunas públicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de arraial."

tó marques

3 de julho de 2007

Memórias do nosso tempo (IV)

As originais bombokas eram da Imperial - fábrica de chocolates de Vila do Conde.
Quando este produto acabou, mais tarde, passou a existir um produto idêntico no mercado; a Dan Cake lançou a imitação que, quem conheceu as originais, como eu, recusa-se a prenunciar o nome deste novo produto que no seu todo é idêntico às famosas Bom-Bokas.
Após algum trabalho de pesquisa, descobri que as famosas e inesquecíveis Bom-Bokas nasceram em 1978. Quem não se lembra da sua imagem, textura e sabores e da maravilhosa publicidade que passava na televisão?
Lembram-se daquele anúncio com o Pai Natal... em que chega tarde a uma loja, já com a porta fechada e diz o lojista:“Bombokas ?, só há estas e são para mim!"

Parece que ainda as sinto na boca, a desfazerem-se.
zeca

30 de junho de 2007

O Renascimento do K-304

Sim é verdade, conforme Fénix renasceu das cinzas também o K-304 renasceu, ou será que nunca terá estado morto mas apenas apagado e esquecido ?
Enfim, será um assunto a debater mas o que interessa neste momento é, informar todos os adeptos, simpatizantes, ex-jogadores e outros que o K-304 chutou para fora o pó das chuteiras e está a olear alguma ferrugem nas engrenagens e a queimar algumas calorias, alojadas em locais pouco dignos, para os jogadores do K-304.

Estas imagens foram tiradas com uma camara oculta onde mostra que o K-304 retomou a actividade. Conseguimos identificar alguns jogadores como o Pedro Miguel e o Jorginho e soubemos de fonte segura, que estavam a jogar o Bernardo e que ía entrar o António, que estudava o adversário, respectivamente filhos das ex-glórias atrás referidas.
Zeca

27 de junho de 2007

Memórias do nosso tempo (III)

Os "Pequenos Vagabundos", era uma série que passava em Portugal nos anos 70 e 80 e que todos os miúdos adoravam. Cheia de mistério e aventuras, esta série de culto passada num campo de férias, onde sete miúdos se juntam numa amizade forte, vão tentar descobrir o tesouro dos templários e encontram ladrões, túneis, grutas, alçapões, castelos e muito perigo.
Se bem me lembro, descobrem uma quadrilha de ladrões e o ouro roubado.
Quem deste tempo não tiver visto um episódio dos “Pequenos Vagabundos” que atire um primeiro comentário.
Zeca

25 de junho de 2007

Memórias do nosso tempo (II)

Com um sabor fresco e intenso na boca de muitos, da geração de 70s e 80s, andou a famosa bebida de nome: PIROLITO.
O Pirolito-Bilas era uma garrafa engraçada com um gargalo cónico suficientemente largo para caber um berlinde e estrangulado logo de seguida, para que este não fosse para o interior da garrafa. No início do gargalo, existia uma pequena rolha em rede, de plástico, para evitar que engolíssemos o berlinde que após a longa espera, para beber a gasosa, era retirada com o dedo e assim, obtínhamos o tal momento de magia: o Bilas ou seja o berlinde do Pirolito.
Também existiam outras bebidas como a Laranjina C ou a Canada Dry mas para quem queria mostrar que tinha muitos “guelas” (outra gíria para berlinde) juntava uns tostões para comprar no Café do Sr. António, o Pirolito.

Quem quer jogar ao berlinde ?
Eu faço as covas.
Não podem é levar nenhum abafador.
Zeca

24 de junho de 2007

Desafio toponímico

A foto é de 1900. O autor foi Alberto Carlos Lima. Que local é este?
Pois é, o Miguel Fernandes acertou em cheio! É o local da futura Praça Afonso de Albuquerque, então ocupado por um prolongamento da famosa Feira de Belém.

Tó Marques

22 de junho de 2007

Memórias do nosso tempo (I)

Acho que todos os que são da geração de 70s e 80s as tiveram na boca. Estou a falar das pastilhas gorila,lembram-se?
Tinham vários sabores e traziam uns papelinhos entre as pastilhas e o papel exterior, que servia para coleccionarmos. Recordo-me de ter montes desses papeis e de os procurar no chão, dentro do papel exterior, daqueles que não lhes ligavam nenhuma importância e que, apenas, pretendiam a pastilha.

Alguém ainda os tem ?
Quem tem para troca ?

Zeca